quinta-feira, 11 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
MADEIRA
Aquele inefável lider da Madeira acaba de escrecver ao PR a quem chamou sr. silva e pediu que fosse expulso do PSD, para interceder junto do Governo devido às dificuldades económicas daquela região-
Ainda há meses afirmava que eram auto-suficientes; agora parece estarem na penúria. Poderiam começar por eliminar aquele Parlamento que só serve para gastar dinheiro e para negociatas dos amigos ligados ao governo regional.
Em 1976 ameaçaram-me de morte por ter defendido a Constituição.
Mas o pior ainda foi condenarem à morte uma pobre mulher só por ser evangélica, e que viria a ser sepultada à beira da estrada por não merecer ter um lugar no cemitério. Na mesma época expulsaram centenas de madeirenses que de barco foram parar às Caraibas e aos EUA, só por não serem católicos.
Quando o leitor pensar por razão este país está sempre na cauda de tudo, eis a razão. É um país dominado pela Igreja Católica e são esses os países mais miseráveis do mundo, como defende David Landes.
Agora, sem dignidade, pede ao PR que interceda junto do Governo.
Quando o Presidente da AR lhe chamou 'bokassa' acertou!...
Ainda há meses afirmava que eram auto-suficientes; agora parece estarem na penúria. Poderiam começar por eliminar aquele Parlamento que só serve para gastar dinheiro e para negociatas dos amigos ligados ao governo regional.
Em 1976 ameaçaram-me de morte por ter defendido a Constituição.
Mas o pior ainda foi condenarem à morte uma pobre mulher só por ser evangélica, e que viria a ser sepultada à beira da estrada por não merecer ter um lugar no cemitério. Na mesma época expulsaram centenas de madeirenses que de barco foram parar às Caraibas e aos EUA, só por não serem católicos.
Quando o leitor pensar por razão este país está sempre na cauda de tudo, eis a razão. É um país dominado pela Igreja Católica e são esses os países mais miseráveis do mundo, como defende David Landes.
Agora, sem dignidade, pede ao PR que interceda junto do Governo.
Quando o Presidente da AR lhe chamou 'bokassa' acertou!...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
POBRE PAÍS
A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de ter nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
Quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
Saudosamente nela, mas amigos são
Por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
Babugem de invasões; salsugem porca
De esgoto atlântico: irrisória face
De lama, de cobiça, e de vileza,
De mesquinhez, de fátua ignorância;
Terra de escravos, cu pró ar ouvindo
Ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
Terra de funcionários e de prostitutas,
Devotos todos do milagre, castos
Nas horas vagas de doença oculta;
Terra de heróis a peso de ouro e sangue,
E santos com balcão de secos e molhados
No fundo da virtude; terra triste
À luz do sol calada, arrebicada, pulha,
Cheia de afáveis para os estrangeiros
Que deixam moedas e transportam pulgas,
Oh pulgas lusitanas, pela Europa:
Terra de monumentos em que o povo
Assina a merda o seu anonimato;
Terra-museu em que se vive ainda,
Com porcos pela rua, em casas celtiberas;
Terra de poetas tão sentimentais
Que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
Terra de pedras esburgadas, secas
Como esses sentimentos de oito séculos
De roubos e patrões, barões ou condes;
Ó terra de ninguém, ninguém, ninguém;
Eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
És mais que cachorra pelo cio,
És peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.
Jorge de Sena
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de ter nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
Quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
Saudosamente nela, mas amigos são
Por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
Babugem de invasões; salsugem porca
De esgoto atlântico: irrisória face
De lama, de cobiça, e de vileza,
De mesquinhez, de fátua ignorância;
Terra de escravos, cu pró ar ouvindo
Ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
Terra de funcionários e de prostitutas,
Devotos todos do milagre, castos
Nas horas vagas de doença oculta;
Terra de heróis a peso de ouro e sangue,
E santos com balcão de secos e molhados
No fundo da virtude; terra triste
À luz do sol calada, arrebicada, pulha,
Cheia de afáveis para os estrangeiros
Que deixam moedas e transportam pulgas,
Oh pulgas lusitanas, pela Europa:
Terra de monumentos em que o povo
Assina a merda o seu anonimato;
Terra-museu em que se vive ainda,
Com porcos pela rua, em casas celtiberas;
Terra de poetas tão sentimentais
Que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
Terra de pedras esburgadas, secas
Como esses sentimentos de oito séculos
De roubos e patrões, barões ou condes;
Ó terra de ninguém, ninguém, ninguém;
Eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
És mais que cachorra pelo cio,
És peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.
Jorge de Sena
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